Sim, é possível cultivar vegetais sem agrotóxicos!

No Brasil, o uso de agrotóxicos é uma prática comum no cultivo de vegetais. Nosso país lidera o ranking como o que mais usa adubos, fertilizantes ou defensivos agrícolas tóxicos a saúde humana e do meio ambiente. Dentre os vegetais com maior concentração de veneno lideram Morango, Tomate e Pimentão.farsai-c-317437Inclusive aqui são usadas substancias que em outros países são rigorosamente fiscalizadas e proibidas. Há muito tempo países como Dinamarca, Noruega e Nova Zelândia baniram das lavouras diversos tipos de produtos químicos, justamente por reconhecerem os danos que causam.

Em primeiro lugar é importante salientar que o termo “agrotóxicos” é um guarda-chuva que abrange vários tipos de produtos químicos industrializados de uso agrícola, e, que são considerados nocivos. Hoje falaremos apenas sobre os defensivos, que podem servir para proteger plantações de vírus, bactérias, fungos, ervas competidoras ou animais como pequenos artrópodes e moluscos, defendem contra a ação de seres vivos!

É justamente aí que mora o problema!

A Evolução nos mostra através da Seleção Natural que a utilização de veneno químico para combater pequenos organismos, pode selecionar organismos mais resistentes. Com isso, a indústria química precisa periodicamente de compostos também mais fortes, fator de lucratividade para ela, visto que o produtor rural dependerá da compra desses compostos para manter sua plantação.

Outro problema se deve ao fato destes compostos, infelizmente, não agirem apenas no alvo, mas em toda uma cadeia complexa de organismos e ambientes. Em biologia, chamamos isso de biomagnificação e bioacumulação, pois, as moléculas se diluem nos ecossistemas e atingem diversos níveis tróficos.

O uso de agrotóxicos, de certa forma, transborda a contaminação do local ,e, por contaminar o solo, as águas, a atmosfera, visto que a maioria dessas moléculas são voláteis, contamina também ambientes distantes da lavoura.

É importante dizer que a lista de doenças humanas associadas ao uso de agrotóxicos é cada vez maior. A cada ano estudos de diversos centros de pesquisa do mundo comprovam a associação entre tais substancias e distúrbios ao sistema nervos, endócrino, cutâneo, respiratório, digestório… Seja para quem está trabalhando na lavoura produzindo nossa comida, ou, para nós que consumimos litros e litros de veneno à nossa mesa.

Justamente pensando e se preocupando com tudo isso, que o Quintal Urbano se manifesta rigorosamente contra o uso dessas substancias. Todavia, acreditamos que não basta olhar para o problema sem buscar soluções, por isso elencamos abaixo técnicas agroecológicas que de forma saudável podem substituir o uso de agrotóxicos seja em grandes plantações, seja na hortinha da sua sacada.

Extrato do alho branco: tem ação fungicida, bactericida e controla insetos nocivos como a lagarta da maçã, pulgão, brocas e cochonilhas.

Ingredientes:

  • 1kg de alho
  • 5 litros de água
  • 100g de sabão
  • 20 colheres (de café) de óleo mineral

Preparo:

Os dentes de alho devem ser finamente moídos e deixados repousar por 24 horas, em 20 colheres de óleo mineral. Em outro vasilhame, dissolva 100 gramas de sabão picado em 5 litros de água, de preferência quente. Após a dissolução do sabão, mistura-se a solução de alho. Antes de usar, é aconselhável filtrar e diluir a mistura com 20 partes de água. Quando pulverizado sobre as plantas depois de 36 horas não deixa cheiro nos produtos agrícolas.

Chá de Arruda: eficaz contra Pulgões.

Ingredientes:

  • Folhas de Arruda
  • Água

Preparo:

Ferva a folhas de Arruda por 5 minutos, espere esfriar e pulverize sobre a plantação.

 Cinza vegetal: combate lagartas.

Ingredientes:

  • 1kg de cinza vegetal
  • 1kg de cal
  • 100 litros de água

Preparo:

Repouse a cinza na água por 24 horas, coe em seguida. Misture a cal virgem hidratada e pulverize.

*A adição de soro de leite (1 a 2%) na mistura de cinza com água pode favorecer o seu efeito no combate contra pragas e moléstias.

Infusão de Cravina Tagetes erecta: afasta pequenos artrópodes.

Ingredientes:

  • 1 l de álcool
  • 15 l de água
  • 200 g das flores e folhas maceradas

Preparo:

Macere folhas e flores e coloque em álcool diluído em água por 12 horas. Pulverize sobre as plantas.

Extrato de Fumo e Pimenta Malagueta: afasta lagartas.

Ingredientes:

  • 50g de fumo picado
  • Pimenta malagueta
  • 11 litros de água
  • 1 recipiente (1litro)

Preparo:

Numa garrafa misture o fumo de corda picado e um punhado de pimenta malagueta. Complete com 1 litro de água e deixe repousar por uma semana. Dilua em 10 litros de água e pulverize o extrato de fumo com pimenta sobre as lagartas.

Alguns cultivares podem ser apenas plantados na horta que o efeito será fantástico, são eles:

Hortelã, Tomilho, Cravina, Arruda, Alecrim, Calêndula, Pimenta, Manjericão, Manjerona, Alho, Cebolinha.

Viu, como é possível um mundo sem veneno!

Além das dicas acima, é importante respeitar a sazonalidade e as características de cada cultivar, o clima da sua região, o manejo adequado do solo, a rotatividade e o consorcio de cultivares olhando para a plantação como um ecossistema de relações complexas entres diversos tipos de organismos.

Pois se o problema é a Lagarta, plante passarinhos!

Fiquem atentos ao nosso blog que a próxima postagem falará sobre nutrientes, adubos e preparo de composto orgânico em composteiras.

Bons cultivos!

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Uma reflexão sobre consumo e biodiversidade.

A forma como nossa sociedade consome afeta diretamente a biodiversidade, o meio ambiente e logo, as nossas vidas. No texto dessa semana iremos propor pequenas reflexões que podem fazer toda a diferença na hora em que compramos as coisas.

Pequenas reflexões, mas gigantescas atitudes que quando tomadas pela grande massa podem inclusive mudar o destino da humanidade frente a preservação da vida. rob-mulally-123849Sabemos que a relação da nossa espécie com o meio onde habita e os demais seres vivos é muito antiga. Também é antiga a utilização dos recursos naturais que este meio nos prove. Extraímos matéria prima para desenvolver os mais variados produtos a partir dele, seja diretamente da biodiversidade ou dos recursos minerais que constituem o próprio planeta.

Esse tipo de comportamento coloca nossa espécie como uma das principais causas da sexta grande extinção em massa dos últimos 600 milhões de anos. Pois, a perda de biodiversidade decorrente das atividades humanas configura-se, hoje, no que provavelmente seja o mais severo de todos os eventos dessa magnitude.

Mais intenso até do que aquele famoso, que extinguiu os dinossauros com a queda do tal meteoro!

O conhecimento sobre a biota ampliou-se consideravelmente na medida em que o ser humano desenvolveu tecnologias e se tornou capaz de atingir os ambientes mais remotos do planeta, que vão do topo de montanhas à regiões abissais nos oceanos. O paradoxal é que ao passo em que uma fração da biodiversidade vai sendo desvendada, como nesses ambientes antes desconhecidos, uma quantidade inestimável vai sendo perdida, antes mesmo de se tornar conhecida.

O comportamento humano em relação aos demais seres vivos o coloca no topo de uma pirâmide hierárquica de poder. Deixando assim de se colocar e reconhecer como parte de um todo amplo e complexo.

A agroecologia nos ensina que a vida é um conjunto de teias complexas nas quais as substâncias essenciais para qualquer ser vivo transitam em ciclos, como por exemplo, passando das plantas para os animais e destes para o esterco, para as bactérias do solo e de volta às plantas, que serão novamente alimento dos animais. Denominamos a transferência destes recursos de fluxo de energia.

Assim, quando um determinado grupo exaure determinados recursos, quando o fluxo de energia natural é prejudicado, prejudicando os demais grupos, ou até mesmo o seu próprio grupo, entende-se que o ambiente está em desequilíbrio, podendo prejudicar a vida naquele ecossistema.

As atitudes humanas  são dotadas de um peso regrado pela sua própria autonomia, repensa-las se torna fundamental para nosso desenvolvimento neste planeta.

É justamente neste repensar, que questões importantes surgem. Sobretudo as que indagam a forma como consumimos as coisas, dos alimentos às roupas, aos aparelhos eletrônicos, aos objetos decorativos de nossa casa. Seja lá o que for tudo possui uma matéria prima que em algum momento foi parte de algum ecossistema. Além disso, absolutamente tudo, na visão cíclica da vida, mais cedo ou mais tarde retornará a algum ecossistema.

O Quintal Urbano provoca você a fazer uma reflexão sempre que for comprar alguma coisa, perguntando-se:

  • Você realmente precisa disso?
  • Você pode pagar por isso?
  • Você sabe a origem desse produto e para onde ele vai depois?
  • Você acha que essa compra pode prejudicar outras pessoas?
  • Você acha que essa compra pode prejudicar o planeta?

Obtendo essas respostas você poderá concluir se vale à pena ou não adquirir o produto que tem interesse. Aí, é só tomar a decisão que lhe deixará em maior conforto com a sua própria consciência.

Espero que seja aquela que mantenha o mundo repleto de Figueiras, Borboletas, Ipês, Sabiás, Jacarandás, Minhocas, Margaridas e Grilos! Repleto de vida!

Consuma com amor e bons cultivos!