Resgate a criança que habita em você!

Você já reparou na familiaridade que a maioria das crianças, sobretudo as bem pequenas, tem com a natureza?

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Em qualquer espaço, seja um pequeno vaso com terra, um cantinho da calçada com mato, um toco velho à ser virado, um ralo por onde escoa a chuva. Elas vão “fuçar”, mexer, explorar como se estivessem na própria sala de casa.

Isso ocorre porque somos natureza, nascemos natureza. Sem medos, sem nojos, sem receios!

Infelizmente, ao longo da vida somos ensinados ou induzidos a darmos preferências por coisas que aparentemente são “seguras”. Seja ficar sentado no sofá vendo televisão ou jogando vídeo game, mexendo no Tablet, Smartphone ou computador. Mas será que realmente essas opções são seguras?

Para a Sociedade Brasileira de Pediatria não!

Em 2016 ela lançou um manual de orientação baseado em estudos e recomendações internacionais definindo riscos pelo contato indevido com mídias. Os riscos vão de a passividade e sedentarismo pelo tempo de inércia motora, confusão do mundo real em relação ao virtual pela incapacidade cerebral de tais distinções, contato com conteúdos inapropriados e até mesmo cyberbullying levando a sentimentos de ódio e intolerância ao próximo.

Sem falar na falta do contato com agentes microbiológicos que justamente irão auxiliar o nosso sistema imunológico a amadurecer e ser capaz de se manifestar contra possíveis doenças futuras.

Neste documento também é proposta uma escala de idades em relação à quais mídias e quanto tempo cada faixa etária pode ser exposta.

Nele consta que:

  • crianças com menos de dois anos não devem manipular nenhum tipo de aparelho de tecnologia informática;
  • de dois a cinco anos no máximo 1 hora por dia sempre com a presença integral de adultos;
  • dos cinco aos dez a presença pode não ser imediata, porém deve existir o conhecimento do adulto sobre tudo o que a criança tem contato;
  • e só a partir dos dez o uso pode ser de 2 horas diárias, porém, com o estabelecimento de regras bem definidas.

É importante dizer que o prazer da criança em priorizar brincadeiras ao ar livre ou que não façam uso de tecnologias midiáticas é inato. O problema é que pais e mães acabam encontrando justamente nos aparelhos eletrônicos facilidades que outros tipos de brincadeiras não possuem. É fundamental que estes hábitos sejam repensados e que as aptidões, assim como aquelas familiaridades descritas lá no inicio do texto sejam recuperadas.

Inclusive na fase adulta!

Sabemos o quanto é importante que aprendamos e sejamos hábeis no manuseio de tecnologias fundamentais nos dias de hoje. No entanto elas não podem ser excessivas em nossas vidas, não podem roubar nossa essência humana de colocar os pés na terra, de respirar ar puro de ser natureza.

Por isso o Quintal Urbano convida você a recuperar a criança escondida em algum lugar do passado e experimentar brincadeiras ao ar livre e explorar recantos onde a natureza insiste em brotar.

Você já tentou observar a diversidade de pequenos bichinhos que existem em baixo de um tronco que está apodrecendo?  Já olhou de perto as inúmeras plantinhas que nascem espontaneamente nas pequenas aberturas do concreto da sua calçada? Acompanhou os caminhos que a água da chuva faz até chegar num bueiro ou ralo?  Olhou de perto para o besouro colorido que caminha lentamente próximo ao meio fio? Tentou subir naquela árvore frondosa que você vê balançando em dias de vento? Se desafiou tentando explorar o terreno baldio e inabitado do seu vizinho?

Talvez você diga que estejamos propondo coisas perigosas, mas garantimos pra você, seja criança ou adulto, perigoso é passar o final de semana inteiro sentado no sofá!

Por isso mexa-se, encoraje-se a ser criança, permita-se brincar, não se importe com o que os outros vão dizer ou pensar a seu respeito senta na calçada, medite observando a natureza, seja feliz!

Bons cultivos!

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